“Why Me? Why Not.”: Liam Gallagher alçando vôos solos ainda maiores

O primeiro disco solo de Liam Gallagher foi um sucesso retumbante. “As You Were” (2017) ganhou disco de platina, e ajudou a instigar a ressurreição de uma emblemática figura do Rock dos anos 90, da qual muitos acreditavam ter sido deixada para trás, e por estes motivos, podemos considerar “As You Were” um disco divisor de águas e vital para a carreira e vida de Liam Gallagher. Dois anos depois, o ex-frontman do Oasis retorna com um novo disco, disposto a repetir o mesmo êxito musical e comercial que alcançou em seu primeiro vôo solo, e a julgar pela qualidade apresentada em ” Why Me? Why Not.” (2019) ao que tudo indica, Liam não irá ter muitos obstáculos para realizar tal proeza.

O segundo disco da carreira de um artista é sempre um grande desafio (Mesmo que neste caso já seja de um veterano), pois se trata de uma real confirmação do quão longe esse determinado artista poderá chegar com sua música em termos de impacto e qualidade, e acreditem, com muita força de vontade e auto superação, Liam passa no teste com muito louvor e dignidade, lançando ao mundo um disco ainda melhor, e mais coeso que a sua ótima estréia. Assim como em “As You Were”, Liam faz questão mais uma vez de demonstrar suas maiores influências do tipo de som que ama ouvir e fazer, com toda aquela maravilhosa aura “inocente” do Pop/Rock britânico dos anos 60. Liam ousadamente chegou a declarar um tempo antes do lançamento: “Eu adoraria fazer um álbum de Punk Rock completo, um pouco de Sex Pistols, um pouco de Stooges e etc”. Bem, “Why Me? Why Not.” cumpre apenas metade desta “promessa”, mas certamente é um registro muito digno para o aclamado retorno de Liam estabelecido em 2017. E além disso, é gratificante ver que neste segundo disco, já conseguimos perceber com clareza um artista amadurecendo e ganhando uma personalidade musical própria, claro que sem jamais abandonar e deixar de “homenagear” seus maiores heróis do passado. Bem, mas agora sem mais delongas, vamos para as faixas que gostaria de dar uma ênfase.

“Shockwave” abre o disco com um belo riff de guitarra, acompanhado de uma charmosa gaita, e no que diz respeito à sonoridade, é quase que uma continuação de “Wall Of Glass” do disco anterior, porém sem o mesmo êxito e brilhantismo. Ainda assim é uma boa faixa, e com um forte refrão (Que promete ser cantado a plenos pulmões nos shows). “One Of Us” parece que poderia ter sido facilmente retirada da estréia auto-intitulada do “Noel Gallagher’s High Flying Birds” (2011), e na minha opinião, é o single mais forte do álbum. Com um violão envolvente numa deliciosa levada, que pra mim soou como um cruzamento entre “Wonderwall” e “Stop Crying Your Heart Out”. Porém, aos três minutos, a música se transforma em um lindo êxtase de cordas ondulantes e um coral gospel lamentando: “É uma pena, pensamos que você mudaria”. Uma faixa que musicalmente falando, é mais rica do que qualquer coisa feita em “As You Were”. Além disso, o trecho em que Liam canta: “Você disse que viveríamos para sempre” também sugerem uma forte escavação na decisão de Noel de abandonar a banda há uma década. Apesar disso, Liam parece estar feliz por estar livre de Noel, e sinceramente falando, ele está certo. Oasis no momento é passado, e deve permanecer assim.

Na sequência, temos “Once”, uma lindíssima balada muito inspirada em John Lennon, melodicamente e harmonicamente, com belos e emocionados vocais, onde esse astro do Rock de meia-idade canta sobre como sente falta dos bons velhos tempos: “Era mais fácil nos divertir quando tínhamos nada…” Canta Liam na faixa. Em “Now That I’ve Found You”, temos um cativante balanço Pop/Rock meio acústico, com um maravilhoso refrão, e uma melodia muito envolvente (Pelo que pude constatar, merecidamente tem sido uma das preferidas por boa parte dos fãs). “Halo” é o momento de trazer uma energia mais Rock and Roll ao disco após duas faixas mais tranquilas, com uma bateria forte e precisa, um andamento levemente frenético, e um piano Rock and Roller safado e veloz muito bem encaixado, sem contar o já tradicional e grande refrão pegajoso. A faixa título “Why Me? Why Not.” é uma balada Rock meio épica, com cordas exuberantes e ótimos solos de guitarra.

“Be Still” é talvez a faixa mais Rock and Roll do disco, com um exemplar trabalho de guitarras, e uma levada que me remeteu muito à algum tradicional e excelente Rockão dos Rolling Stones, e mais uma vez o refrão sendo um show à parte (Como acontece praticamente em todas as faixas aqui presentes). “Alright Now” é uma linda balada que desta vez “homenageia” outro Beatle com excelência, numa vibe George Harrison total, onde até mesmo o solo de guitarra me remeteu aos maravilhosos slides que o lendário guitarrista dos Beatles tanta executava com maestria. “The River”, que é outro single do disco, é possivelmente a música mais cativante do álbum. É uma música que convida a nova geração a se defender e protestar, dizendo para olhar além do que somos alimentados por nossa tecnologia “que sugam dinheiro”, e a pensar por nós mesmos. Talvez isso mostre que Liam realmente está realmente em contato com a atual geração: Ele tem simpatia, e talvez empatia, pelas lutas que enfrentam, especialmente ao separar o que é verdade e o que é notícia falsa. Mas no centro de tudo, tudo o que importa é o que acreditamos. E se defendermos o que acreditamos, não podemos estar fazendo muito errado. Enquanto que “Gone” finaliza o disco em alto nível, num maravilhoso e épico arranjo de cordas, guitarras espertas, e refrão curto porém muito eficiente. PS: A edição deluxe ainda conta com mais três músicas, na qual eu gostaria de destacar a maravilhosa “Misunderstood”, uma lindíssima e inspirada canção digna das melhores baladas do Oasis.

“Why Me? Why Not.” é um belíssimo disco que logo após poucas audições já conquista o ouvinte, reunindo ótimas composições, e com uma exemplar e satisfatória produção, Liam entregou a seus fãs uma excelente sequência de sua estréia solo de 2017, só que ainda melhor, mais coeso, e de repertório mais marcante, que com certeza tem tudo pra ser tornar mais um grande êxito no ótimo ressurgimento desta figura emblemática do Rock britânico.

Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

Deixe um comentário