O início de uma nova estação.

Uma das grandes referências do Rock Progressivo (se não a maior) – Tendo em vista as bandas Pop que se tornaram Genesis e Yes, além do King Crimson também ter caminhado em outras searas – no diversificado anos 80, a banda inglesa Marillion lançava o seu quinto álbum de estúdio Season’s End ,há exatos 30 anos. O primeiro a não contar mais com Fish, vocalista e letrista da banda desde os seus primórdios, substituído pelo competente Steve Hogarth. O que poderia ser um abalo para a banda, acabou tendo um resultado surpreendente, apesar de o grupo não conseguir repetir o sucesso dos discos anteriores.

A saída do vocalista acarretou não só o problema da perda de seu frontman, sua figura mais simbólica, como também de seu letrista. Quando Fish saiu, a maioria das músicas que viriam a ser Season’s End estavam praticamente finalizadas, inclusive com letra. Porém o dissidente vocalista partiu levando consigo os temas que havia escrito para as melodias.

Como nenhum dos outros integrantes da banda eram bons letristas, contrataram o jornalista John Helmer para escrever novas letras. Tal fato levou o grupo em outra direção no que se refere aos temas abordados nas canções, pois o jornalista era extremamente politizado, e suas preocupações e filosofia idealista refletiram bastante nas letras inseridas nas músicas.

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O disco com uma música que demonstra toda a qualidade técnica da banda, ”The King Of Sunset Town”, belíssima música, com letras abordando o regime político chinês. Seguida da bela balada, que fala sobre a guerra civil norte-irlandesa, ”Easter”, com um maravilhoso arranjo de cordas do guitarrista Steve Rothery”.

 

“The Uninvited Guest” tem o andamento mais acelerado, com influências do pop. É a primeira canção do álbum totalmente composta após a saída de Fish. A maravilhosa faixa título é lenta, densa e excessivamente melódica, com letra sobre o aquecimento global. Hogarth mostra que, embora diferente de Fish, poderia criar temas progressivos com interpretações peculiares como fazia seu sucessor. Aqui temos outro solo de guitarra liricamente bem construído se encaixando no aspecto emocional e ‘viajante’ da canção.

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”Holloway Girl” é a típica faixa a qual dizemos que vai ganhando corpo gradativamente com o seu transcorrer. Começa lenta e cadenciada até chegar ao ápice progressivo bem tocado e interpretado. A apoteótica “Berlin”, faixa lenta e melódica, com guitarras dedilhadas e a voz soturna de Hogarth, é a música que mais me chamou a atenção quando escutei o disco pela primeira vez. Temos aqui a presença de saxofone, algo inédito até então, durante toda a canção. Vale ressaltar também a fantástica letra de Holmer sobre o Muro de Berlim, que seria derrubado pouco mais de 1 mês depois do lançamento do disco, reestabelecendo a Alemanha como apenas um país.

 

“After Me” é outra balada com um vistoso violão, que remete a Easter, porém mais curta. A não menos curta ”Hooks In You” talvez seja a mais pop do CD, calcada em uma linha de teclados e com base firme de guitarra. Também foi composta pelo grupo após a saída de Fish.   A música que encerra o disco é também a preferida deste que vos escreve, a espetacular “The Space…”, um tema com uma cozinha precisa, teclados grandiosos e uma guitarra mais pesada. Encerra o disco com chave de ouro, faixa para nenhum fã da fase anterior do grupo colocar defeito.  Season’s End monstra o Marillion afiado e entrosado, não deixando o nível cair com a saída de seu principal compositor. Uma pena que a banda enveredou-se cada vez mais para o lado comercial com o passar dos anos, deixando de lado esse lado obscuro, rebuscado e instigante. Ainda sim, uma banda interessantíssima, que merece ser escutado por todos os amantes do Rock Progressivo. VALE A AUDIÇÃO!

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A text by @lukaspiloto7twister

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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