40 anos do Entretenimento Subversivo do Gang Of Four

Uma ideia na mente e atitude, muita atitude. Na aurora do Punk/Pós Punk, não existiam ingredientes melhores para se fazer um disco. E há exatos 40 anos, os ingleses do Gang Of Four lançaram seu manifesto, o espetacular “Entertainment!”.

Aqui, a banda, conscientemente ou não, influenciou boa parte do Rock mais “Alternativo” a surgir. Seu som subversivo, agressivo, mas ao mesmo tempo dançante, num misto de Punk, Funk e até Dub, fez a cabeça dos mais antenados. Basta ouvir os torpedos guitarrísticos de Andy Gill na abertura “Ether”, por vezes até dissonante, junto ao ronco impiedoso do baixo de Dave Allen, e prestigiar a idiossincrasia dos garotos de Leeds.

Mas, mesmo com um som “Estranho”, é impossível ficar parado com o groove de “Not Great Men”, ou a influência do suingue jamaicano em “Contract”.

Essa inventividade acaba gerando verdadeiros hinos, e esse é o caso de “Damaged Goods”, uma das músicas definitivas do Pós-Punk, um “Hit Indie” à época. Com seus vocais alternando entre Jon King e Andy Gill, quase falados, e uma letra, assim como todo o álbum, ácida e de uma maturidade pouco antes vista entre os Punks. Não só as letras, mas toda a estética abrasiva e densa de canções como “Guns Before Butter”, quase hipnótica, ou “5.45”, e sua inesperada gaita. Tudo isso culmina nas guitarras lotadas de feedback, de som metálico, industrial de “Love Like Anthrax”, símbolo da juventude “Working Class” inglesa, encontrando expressão no mundano.

Esse é daqueles discos que definem um estilo, uma época, um espírito. 40 anos depois, um dos marcos iniciais do Pós-Punk ainda reverbera, um caldeirão de angústia, indignação, humor ácido, denso. Posteriormente a banda seguiria algumas tendências mais New Wave, mas seu inesquecível marco-zero permanece intocável!

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Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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