“New Love”: O incrível Hard Rock do B’z de volta a velha forma!

Para marcar o início de sua quarta década de carreira, a dupla japonesa de Hard Rock B’z (formada pelo vocalista e letrista Koshi Inaba e o guitarrista e compositor Tak Matsumoto) decidiu reformular sua banda de apoio, dando adeus a músicos de longa data como o baterista Shane Gaalaas, e o baixista Barry Sparks.

A idéia era oferecer um novo tipo de som para o público. Um som que eles talvez não conseguissem fazer com a equipe anterior. Por mais eficientemente que esse time estivesse funcionando, fato é que ele não vinha gravando álbuns memoráveis já há um bom tempo. O sucesso comercial continuava lá: Singles e álbuns sempre no topo das paradas da Procon (Principal parada de sucessos do Japão), certificações da RIAJ, turnês sempre lotando estádios e etc… Mas pela decisão tomada, parece que nem eles próprios estavam satisfeitos. E às vezes mexer em time que está ganhando é uma decisão sábia, e evita o desgosto de ver algo bom ficar ruim.

Mas afinal: Trocar a banda valeu a pena? Ah, se valeu… “New Love”, vigésimo-primeiro registro de estúdio do fenômeno do Rock japonês, é simplesmente o melhor disco do B’z nesta década e compete de frente com os melhores lançamentos que a dupla soltou nos anos 2000. A troca dos integrantes foi feita com bastante cuidado e mistura nomes experientes e consagrados com jovens revelações. Como resultado, a maioria das faixas é verdadeiramente empolgante. E é verdadeiramente empolgante porque tem atitude verdadeiramente Rock And Roll, como há muito não se ouvia (Pelo menos não de forma prevalecente) na discografia do B’z.

Dentre os destaques, temos o Hard Rock frenético de “Tsuwamono, Hashiru” (Bem estilo “Burn” do Deep Purple) com riffs e solos excepcionais de Tak. Os metais suingados na funkeada “Wolf”. O incrível trabalho de percussão e dos teclados em “God”. o Hard Rock épico de “Da La Da Da” (Muito inspirada na clássica “Kashymir” do Led Zeppelin) com um espetacular trecho de cordas árabes. A excelente participação de ninguém menos que Joe Perry (Lendário guitarrista do Aerosmith) na balada Bluesy Rock “Rain & Dream” (Com direito a um fantástico “duelo” de guitarras entre Tak e Joe no final). O órgão em “Ore yo Karma wo Ikiro”; e o estupendo solo de baixo e organ hammond no Funky Rock enérgico de “Sick”. A única sem graça é “Majestic”, uma espécie de balada desprovida de sal. Mas notem que eu selecionei praticamente metade da obra como “destaque”…

Embora Shane Gaalaas e Barry Sparks ainda tenham dado as caras no álbum (precisamente na faixa “Tsuwamono, Hashiru”), quero falar dos seus sucessores. Nas baquetas, temos o experiente e incontestável Brian Tichy, com quem a banda já havia trabalhado brevemente no início deste século (incluindo o supergrupo “Tak Matsumoto Group”, fundado por Tak em 2004). Já para as quatro cordas, a dupla foi buscar duas pessoas. Cinco faixas (incluindo “Sick”, que destaquei anteriormente) são tocadas pela jovem indiana Mohini Dey, baixista excepcional, e listada pela edição local da “Forbes” como uma das 30 pessoas com menos de 30 anos mais influentes do país asiático. Outras cinco faixas são tocadas por ninguém menos que Robert DeLeo, do Stone Temple Pilots. E Seiji Kameda ficou responsável pelas linhas de baixo de “Wolf” e “Majestic”. Os teclados são novamente comandados por Jeff Babko, que já havia participado do álbum anterior da dupla “Dinasour” (2017), e a percussão ficou nas mãos do gabaritado Lenny Castro, que coleciona trabalhos no Toto, no The Red Hot Chili Peppers, e no Wolfmother.

Uma outra interessante mudança que “New Love”  trouxe é a ausência de singles. Pela primeira vez em 30 anos, o B’z decide não selecionar uma faixa específica para divulgar o disco. É engraçado por um lado, afinal, boas opções não faltam. Por outro lado, mostra a maturidade de encarar os novos tempos da indústria musical, até porque estamos falando de uma banda que não sabe o que é não atingir o topo da parada de singles da Oricon desde 1990.

Para concluir, “New Love” é um grande disco de Rock and Roll puro e sem firulas, com elementos e influências de Funk, Blues, e com a já tradicional e sempre excelente fórmula do B’z em saber unir com maestria o peso do Hard Rock com uma sensibilidade Pop deliciosa em sua música. Altamente recomendado!!!



Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

Deixe um comentário