“Free”: O espírito livre de Iggy Pop em seu novo disco

Depois de três anos, o grande “Stooge” Iggy Pop, nos comprova que ainda está aqui e em excelente fase, nos presenteando com mais uma grande obra em sua extensa carreira. O lançamento de “Free”, o 18º álbum de estúdio desta lenda do Rock, é uma boa notícia para os fãs que pensaram que Iggy estava se aposentando da música. As mortes do baterista Scott Asheton, e do saxofonista Steve Mackay em 2014 e 2015 respectivamente, colocaram oficialmente o The Stooges para descansar, e então cabia a Iggy traçar um novo caminho. Se o excelente “Post Pop Depression” (2016) o tirou de seu espaço Punk seguro na garagem, “Free” tem a proeza de dobrar os esforços de seu antecessor. Sem se importar com seu passado, isso fez com que Iggy entregasse um dos registros mais singulares e interessantes de sua longa carreira.

Desfrutar de “Free” da forma como merece ser apreciado, é saber controlar bem as expectativas pré audição do disco, e também ter a consciência de que grande parte da marca registrada do cantor se foi, e o que foi substituído em “Free” é difícil de definir. O disco é um profundo mergulho (Como podemos ver na própria capa da obra) altamente sofisticado e climático, com desempenho de palavras faladas, surtos sonoros exploratórios e sombrios, que fazem de “Free” um registro que desafia a categorização simples daquilo que se conhece musicalmente sobre Iggy Pop. Há músicas que carregam a influência de Josh Homme de “Post Pop Depression”, (“Loves Missing”) e outras que acenam para heróis do passado como Joy Division, New Order e Roxy Music, (Como por exemplo em “Glow in the Dark”, e “Page”) e se eu tivesse que escolher uma faixa para ser a minha preferida do álbum, com certeza seria “Sonali”, que mistura teclados sombrios e sedutores, com batidas eletrônicas muito bem sacadas, e um melancólico trompete ao fundo. E no caso de você achar que Iggy perdeu o senso de humor, “James Bond” e “Dirty Sanchez” aliviam o clima do disco com excelência, com esta última satisfazendo os instintos mais insolentes do cantor.

Algo ainda mais chocante do que a música que se encontra em “Free”, que atinge um acorde contemplativo e sofisticado, é a incrível introspecção de Iggy. Livre e totalmente à vontade, especialmente no final da obra, ele se aventura em um mergulho livre quase que meditativo. “Nós somos o olhar de cristal retornado através da densidade e imensidade de uma nação furiosa”, ele reflete cinicamente em “We Are the People”. No final das contas, podemos perceber com clareza que “Free” pode ser encarado mais do que um disco, e sim como uma experiência quase que terapêutica, extremamente adequada para um cara que aos 72 anos já viveu tudo o de mais espetacular e radical que o Rock and Roll pode proprocionar à um ser humano. A glorificação a atributos físicos femininos e drogas foram largamente deixados de lado, em favor de pensamentos sobre vida, amor, sexo, raça e mortalidade. “Free” se torna uma belíssima peça na discografia de Iggy, e com certeza merece ser considerado como um dos grandes destaques musicais de 2019.

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Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

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