O Retorno Triunfal do Tool

Para euforia dos fanáticos por Tool (como este que vos fala), após 13 anos, eles estão de volta. E, como é de se imaginar, Maynard, Danny, Adam e Justin não vieram com nada simples, nada esquecível, nada fácil, e sim com um dos grandes de sua (perfeita) carreira.

Cada faixa aqui é longa, cheia de movimentos como uma sinfonia etérea. O toque oriental e percussivo nos recebe logo de cara na faixa título. Quase um Mantra, cheio de metáforas que instigarão os mais curiosos, já exalando a proficiência e o som “torto” da banda.

Logo em seguida, sem tempo de respiro, vem simplesmente uma das melhores músicas da banda, “Pneuma”. Com um padrão rítmico complexo, uma linha de baixo absurda de Justin Chancellor, ela alterna peso e calmaria, de maneira brilhante.

O amadurecimento, tanto musical quanto pessoal/espiritual é tema recorrente em todo o álbum. A alegoria auto-referencial de “Invincible”, o épico “Descending”, lotada de desilusão, numa montanha-russa musical.

O trabalho é entremeado por alguns interlúdios viajantes, “Litanie contre la Peur”, “Legion Inoculant”, que fazem com que o álbum pareça um ciclo fechado, infinito em si. Mas, algo que vale destaque é fantástica e explosiva peça solo de Danny Carey, “Chocolate Chip Trip”. Bem, o mago leciona bateria em todas as faixas, mas aqui, faz uma performance solo de cativar até os não-músicos.

O mais próximo que temos de uma “balada” é a belíssima “Culling Voices”. Baseada num lick hipnótico, é melodiosa e agressiva na dose certa, com uma grande performance de Maynard. Mas, não podia faltar o monolito do Metal Progressivo, concentrado em “7empest”, o som pesado e “matemático” (no bom sentido), na visceralidade exacerbada do Tool. Essa aventura termina no canto da natureza, em “Mockingbeat”, enigmática e gratificante.

Se os existia algum receio de que o novo álbum não chegaria ao nível dos anteriores, foram provados o contrário. Ainda mais maduros e uma unidade perfeita como banda, soltaram um trabalho denso, que fica ainda melhor com seguidas audições, captando detalhes, nuances. Como um bom fã, hei de dissecar essa grande obra!

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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