JUDAS IS RISING! 40 anos de um dos maiores discos ao vivo da história do Heavy Metal.

Sabe aquele disco que marca infância, molda caráter, faz você colocar no repeat várias vezes, vai dormir e acorda pensando em escutar? Então, foram essas as sensações que tive quando ouvi Unleashed In The East da fantástica banda JUDAS PRIEST, disco este que hoje completa 40 anos.

Convencionou-se dizer que se o Black Sabbath criou o Heavy Metal, o Judas Priest o definiu, tanto na questão sonora quanto na questão estética, tendo sido precursora no uso das famosas roupas de couro que ajudaram a criar o estereótipo do metaleiro.

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Foi gravado por duas noites em Tóquio, durante a Hell Bent for Leather Tour. Após o lançamento, tornou-se o álbum mais vendido da banda até aquele momento (sendo superado apenas por British Steel e Painkiller), alcançando o Top 100 dos EUA e o Top 10 do Reino Unido. É um dos cinco álbuns da banda a ganhar uma certificação de platina. Foi a partir deste ao vivo que ficara marcada a clássica entrada de Rob Halford de Harley Davidson no palco, presença certa em todos os shows da banda a partir daí.

Há questionamentos se o disco foi realmente gravado ao vivo, sendo chamado às vezes, maldosamente, de Unleashed in the Studio. Rob Halford confirmou em várias entrevistas que a música era realmente ao vivo, mas que seus vocais haviam sido arruinados na gravação original, tendo ele regravado a voz em estúdio, porém pediu para que fosse feito em apenas um take, para preservar o ambiente do disco.

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Entretanto, a energia transmitida pelo álbum é visceral, não deixando a desejar em nenhum momento sob nenhum aspecto. A banda estava impecável: as guitarras harmônicas de Glenn Tipton e K.K. Downing, o baixo sempre preciso de Ian Hill, a bateria animalesca de Les Binks (foi a última aparição do baterista em um disco da banda) e, claro, a sempre aguda, poderosa e impressionante voz de Halford, arrepiando todas as espinhas do corpo.

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Controvérsias à parte, o que não podemos negar é que Unleashed In The East é um tremendo disco, pois seu tracklist é recheado de clássicos e só não teve mais por conta da limitação física, o que fez que outros hinos metálicos ficassem de fora, e inseridos posteriormente em relançamentos, tais quais: ”Delievering The Goods”, ”Starbreaker” e ”Hell Bent For Leather”.

O disco abre com ”Exciter” onde, além do agressivo bumbo duplo de Binks, Halford brinca de cantar agudamente, é impressionante como estava a voz dele nessa época. ”Running Wild” e ”Sinner”dão sequência de forma arrebatadora.

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”The Ripper” vem logo em seguida, precedendo um cover do Fleetwood Mac ”The Green Manalishi”. O lado B abre com mais um cover de uma música que muitos acham ser da própria banda, tamanha a notoriedade que ela ganhou após ser regravada. Falo da espetacular ”Diamonds and Rust” de Joan Báez.

A próxima é sem dúvidas a minha música favorita do disco e uma das melhores da banda, a fenomenal ”Victim Of Changes”, daquelas que faz você querer ‘bater cabeça’ involuntariamente de tão boa que é. O disco fecha com ”Genocide”, outro petardo maravilhoso do grupo, e fecha com ”Tyrant”, uma música que particularmente não gosto da versão de estúdio, todavia parece ter se transformado aqui, ganhando uma roupagem mais rápida e agressiva, fazendo-me olhar pra ela com outros olhos. ESPETACULAR!!!

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Se quiser ser da turma dos que criticam o disco por conta das polêmicas supracitadas tudo bem, mas vos digo que estarão perdendo um dos maiores discos ao vivo da história do Rock, disco de cabeceira, formador de caráter e inserção certa no mundo do Heavy Metal. JUDAS IS RISING!

A text by @lukaspiloto7twister

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

3 pensamentos

  1. Agora sim! Minha banda favorita do metal encerrando os anos 1970 com um disco ao mesmo tempo histórico e controverso. Mas enfim, o Judas Priest é, em todos os sentidos, uma banda formadora do caráter de muito fã de rock, incluindo EU!

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