60 anos de Moanin’ in the Moonlight – O Lamento definitivo de Howlin’ Wolf

Mr. Chester Arthur Burnett, mais conhecido como Howlin’ Wolf, dispensa apresentações. Legítimo Bluesman do Mississipi, de uma voz aterrorizante, cavernosa, fez algumas das gravações definitivas do Chicago Blues. Essas gravações, com auxílio de grandes nomes como Willie Dixon e Hubert Sumlin, foram compiladas pela lendária Chess Records, formando um monolito, divisor de águas no estilo. Estamos falando de “Moanin’ in the Moonlight”, que hoje completa 60 anos.

O disco já começa arrepiando a espinha dos incautos, com o clássico “Moanin’ at Midnight”. A voz de Wolf, como não podia deixar de ser, é destaque absoluto, um uivo profundo e aterrorizante.

Tudo que você espera do Blues de Chicago está aqui. O piano pulsante e a visceral gaita de “How Many More Years”, o grande riff de “Smokestack Lightnin” (Onde Wolf literalmente uiva como um lobo), cortesia de Hubert Sumlin.

A sonoridade do álbum é, apesar de tradicional, moderna para seu tempo, a essência daquele efervescente Blues “Urbano”, acentuado ainda mais pela produção extremamente crua. Todo esse peso é cristalizado em “Evil”, um clássico absoluto, em parceria com ninguém mais ninguém menos que Willie Dixon. A voz de Wolf, como um trovão, abre as portas da mente dos que têm o Blues.

Ainda há espaço para mais uivos soturnos , como o canto de escravos nas fazendas de algodão, em “Moanin’ for My Baby”, e Standards do Blues, como “Forty Four”. “Somebody In My Home” termina o disco de forma magistral, um lamento, com um sofrimento destilado pela voz única de Howlin’ Wolf

De considerações finais, “Moanin’ in the Moonlight” é um dos maiores clássicos da história do Blues. Um conjunto de faixas ácidas, densas, soturnas, que ditaram o caminho do Blues Elétrico dali pra frente. Um disco obrigatório para qualquer fã de música, sobretudo os que apreciam o lamento em forma de som!

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Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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