45 anos do “Barato Total” de Gal Costa

Os trabalhos de Gal Costa na década de 70 são alguns dos maiores registros de nossa música. Tropicalista e Bossanovista, cortante e contida, o total equilíbrio entre a vanguarda e o tradicional fazem de “Cantar” (1974) um dos grandes discos dessa sua fase, e que está completando 45 anos.

O disco já começa de maneira alucinante com “Barato Total”, de Gilberto Gil. Funky, com um belíssimo arranjo de metais, um baixo “federal”, símbolo do desbunde total da época.

Entretanto, essa explosão de som é tomada por uma calmaria intimista, com “A Rã”, composta por João Donato, que também participa com seu inconfundível Fender Rhodes, num arranjo de uma elegância deslumbrante. Essa calmaria persiste num dos grandes momentos do álbum, “Lua, Lua, Lua, Lua”, de uma simplicidade tocante, transformando-se na versão definitiva desse clássico de Caetano.

Mas a vibração, Suingada e até Rock ‘N’ Roll, volta com tudo em “Flor de Maracujá”, num dos momentos mais intensos do álbum. Essa explosão sonora desemboca em um momento sublime, “Joia”, mais uma de Caetano. Aqui, a atonalidade (carregada de um lirismo inigualável) ganha mais peso com a inclusão da vibrante percussão. A tensão, aliada à voz angelical de Gal, torna essa faixa algo único.

A antológica balada “Até Quem Sabe”, de João Donato, é de cortar o coração, onde Gal usa e abusa de sua bela voz, numa interpretação memorável. O álbum ainda tem um lampejo do alto astral em “O Céu e o Som”, até encerrar sua viagem com a Jazzística e densa “Lágrimas Negras”. A singela “Chululu”, uma éspécie de canção de ninar, encerra o disco.

“Cantar” é, apesar de pouco comentado, um dos grandes discos de Gal Costa. Aqui, há o equilíbrio perfeito entre a psicodelia da Tropicália e o tradicionalismo da Música Brasileira. 45 anos depois, continua sendo um “Barato Total”!

Anúncios

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

Deixe um comentário