O crime secular arrebatador! 45 anos de ”Crime Of The Century”.

Em 1974, era lançado um dos melhores discos que este humilde escritor que vos escreve já ouviu. Não apenas eu, mas muitos o consideram como uma verdadeira obra de arte musical, tanto é que entrou na lista dos 500 maiores discos de todos os tempos da revista Rolling Stone. Um verdadeiro crime perfeito, que te rouba para outra dimensão sem nunca lhe devolver. Há 45 anos, CRIME OF THE CENTURY era lançado.

Após dois discos com pouca repercussão e muita desconfiança por parte do público, Roger Hodgson e Rick Davies precisavam se reinventar e mostrar que o Supertramp não era apenas uma ”banda de elevador”. E a resposta não poderia ter sido melhor.

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Desfilando talento, sensibilidade, feelings e arranjos maravilhosos, tendo a luxuosa ajuda do novo baterista Bob Siebenberg e do baixista Doug Thomson, o álbum é um desfile de hits e composições de deixar o ouvinte boquiaberto.

Crime of the Century foi o primeiro álbum do Supertramp a chegar ao Top 40 álbuns dos EUA e recebeu eventualmente o certificado de Ouro nos Estados Unidos, depois do lançamento do álbum Even in the Quietest Moments…. O álbum também marcou o começo do sucesso de vendas da banda no Reino Unido; Crime of the Century chegou ao quarto lugar nas paradas em março de 1975, e “Dreamer” chegou ao décimo terceiro lugar nas paradas de singles em fevereiro do mesmo ano. O álbum também fez sucesso no Canadá, ficando nas paradas por dois anos e vendendo mais de um milhão de cópias. Além disso, muitas demos compostas para este disco que não foram usadas apareceram posteriormente em discos de sucesso da banda como Crisis? What Crisis? e …Famous Last Words.

O disco abre com ”School’.’ A música inicia com um solo de gaita espetacular de Rick Davies. A inovação começa a partir daí. A letra parece ser uma divagação de um adulto sobre o sentido da escola, sobre como uma criança enxergará tudo aquilo. Roger Hodgson canta boa parte da música, em algumas partes há apenas guitarra e teclado fazendo um som ambiente. Há muito silêncio, reflexão. Boas entradas de guitarra, baixo cooperando em vários momentos.

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“Bloody Well Right” a banda já mostra toda a sua versatilidade. Com um blues rock muito bem conduzido por guitarras e pela voz de Rick Davies. Não à toa ele fez um estrondoso sucesso nos Estados Unidos, ficando por semanas no topo da parada da Billboard.

“Hide In Your Shell” é uma música longa, tanto em tempo quanto em letra, sobre a timidez, sendo muitas das vezes, erroneamente na minha opinião, dando ao Supertramp o rótulo de Rock Progressivo. O refrão é muito bonito, com a presença de saxofone e efeitos de sintetizador produzindo vento, solidão e um ambiente sombrio. Um verdadeiro deleite aos ouvidos.

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“Asylum” é uma das maiores músicas do álbum. Aqui o experimentalismo rola solto, dando um clima bem Pink Floydiano à canção. A próxima, “Dreamer”, tornou-se a música mais conhecida no álbum. O teclado (órgão) e Roger Hodgson são os grandes protagonistas da música. Bateria e baixo também aparecem. Mas, o que realmente se destaca é a voz fininha e suave de Hodgson. Até hoje essa música toca por aí. É a menor música do disco, porém não menos competente.

“Rudy” não emplacou como algumas outras do álbum. No entanto, ela é uma deliciosa narração da vida comum de Rudy, com seu início muito belo no piano e diversas nuances que vão caminhando pela música. É a canção de maior duração do álbum. A seguir temos “If Everyone Was Listening”, outra música curta, se comparada às outras. Tem um aspecto um pouco mais “alegre”, mas a letra é tão reflexiva quanto as demais. Particularmente, uma das minhas preferidas da banda, sendo uma ótima pedida em situações delicadas e felizes.

“Crime of the Century” termina o álbum magnificamente, dando um toque mágico e genial a um trabalho impecável. Com aquela pegada sombria que esteve presente em quase todas as músicas, a faixa título traz arranjos muito bons, algo bastante perceptível em todo o trabalho – mérito tanto da banda quanto do produtor do álbum, Ken Scott.

Ouçam esse disco com bastante atenção, é aquele típico caso de ter uma impressão diferente a cada audição, percepção essa causada pela complexidade das letras da espetacular dupla Hodgson/Davies, que infelizmente já não estavam mais se dando tão bem, levando algumas músicas a serem gravados em horários diferentes para não se esbrrarem no estúdio. Entretanto, em nada compromete o resultado majestoso de um dos maiores discos da década de 70.

A text by @lukaspiloto7twister

Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

3 pensamentos

  1. Segundo melhor disco do Supertramp a meu ver, já que o primeiro melhor do meu top ainda é o imbatível Breakfast in America (1979), um dos discos quarentões de 2019.

    Curtido por 1 pessoa

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