“Won’t Get Fooled Again”: e soa o acorde universal

Dando sequência ao nosso quadro “As 100 Melhores Canções de Todos os Tempos”, trago hoje uma das músicas (mais que isso, um statement) mais icõnicas da história do Rock, “Won’t Get Fooled Again”, do The Who,

Ela está na seleta lista de canções que extrapolam as fronteiras da arte em si, e se transformam em verdadeiros hinos. Originalmente concebida para encerrar a (nunca concretizada) Ópera Rock “Lifehouse”, onde, após a morte do protagonista, soa o “Acorde Universal”, é a última faixa da obra-prima “Who’s Next”.

Os ensinamentos do Guru Meher Baba estavam influenciando Pete Townshend a ter uma ligação mais espiritual com a música. A todo o momento sentimos algo especial, quase etéreo. Desde o início, com o memorável loop de sintetizador que se faz presente em toda a música, até a entrada de toda a banda, com o trabalho explosivo de bateria de Keith Moon (qualquer elogio à Keith não é suficiente) e o grande riff de Pete. Com um daqueles refrães de se cantar a plenos pulmões, representando muito bem o espírito do Rock Setentista. Mas, o melhor fica para a parte final. Moon toca um dos interlúdios mais memoráveis já feitos, culminando no selvagem (e quase primal) grito “YEAH!” de Roger Daltrey. Poucas coisas são mais Rock ‘N’ Roll que isso.

Liricamente, é tão forte quanto a música em si. De certa forma, critica o poder e as falsas revoluções que não levam a lugar algum. Nas palavras de Pete: “Não é precisamente uma música que deprecia a revolução – sugere que vamos de fato lutar nas ruas – mas essa revolução, como toda ação, pode ter resultados que não podemos prever. Não espere ver o que você espera ver. Espere nada e você pode ganhar tudo”.

Poucas músicas são tão perfeitas quanto essa. E bem, não se sabe como seria o tal do “Acorde Universal”, mas com certeza não soa melhor do que esse clássico!

09/100

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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