45 anos do último grande ato dos Novos Baianos

Há 45 anos, Linguagem do Alunte, ou simplesmente, Novos Baianos era lançado. Um disco que mantém uma sequência implacável que começou em 1972 com o clássico Acabou Chorare, passando por 1973 com o Novos Baianos F.C. e enfim chegando no auto-intitulado de 1974 objeto deste texto.

Como nem tudo são rosas, este disco marca a fatídica saída de Moraes Moreira, um dos principais compositores e mentores do grupo, saída esta causada pelo fracasso comercial que o disco obteve, aliado a vontade de Moraes elaborar projetos com mais liberdade e podendo explorar novos sons.

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Diferente dos seus antecessores, que foram gravados no Rio de Janeiro, este álbum foi feito em São Paulo a pedido da gravadora Continental. Ele é dominado por canções compostas por Morais e Galvão. Sete das nove canções possuem a participação da dupla.

O Lado A, calmo e sereno, traz canções estritamente simples e com o mínimo de esforço. Apenas violões, cavaquinhos e vocalizações. “Fala Tamborim” é um samba bem divertido.  “Ladeira da Praça” nos remete a canções como “O Samba da Minha Terra” e “Brasil Pandeiro”, assim como “Eu Sou o Caso Deles”, a qual já mostra novamente a participação marcante da guitarra sempre forte de Pepeu, misturando samba e rock com muita naturalidade.

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Outra bela canção é a adaptação para “Isabel (Bebel)”, de João Gilberto, canção comandada por Jorginho. A psicodelia em “Ao Poeta” pode ser considerado um ponto fora da curva do disco, e é um tanto quanto estranha, onde Galvão declama um estranho poema em homenagem à letra “r”.

O frevo de “Reis da Bola” dá um toque de carnaval ao começo do caos que a banda começara a sofrer, porém pode-se considerar uma bela música. A FANTÁSTICA “Linguagem do Alunte”, dá sinais do nível de Rock and Roll que a banda era capaz de compor, fazendo uma mistura com o frevo, mas ainda sim, uma música com uma energia poucas vezes vista no grupo.

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Os últimos momentos de Novos Baianos ficam para “Miragem”, uma instrumental sensacional, com uma introdução arrepiante do cavaquinho, bandolim e baixo, em mais um show no solo de cavaquinho, duelando com a guitarra de Pepeu em escalas muito velozes; e “Bolado”, com outra fantástica introdução no cavaquinho e bandolim, tendo uma boa interpretação vocal de Baby.

Apesar do que viria a acontecer depois e a banda começar a perder força e inspiração, no que culminaria em carreiras solos de todos os integrantes e o fim dos Novos Baianos, este disco ainda entra na galeria dos grandes trabalhos feitos pelo grupo, esbanjando todo o talento, diversidade e arranjos que lhes caracterizam. Simplesmente imperdível!!!

textby @lukaspiloto7twister

 

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Autor: Luc Rhoads

Um grande apaixonado por música e aventuras. Carioca, estudante de Educação Física, professor de inglês e vascaíno doente.

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