Os 45 anos do Funk infernal de James Brown

Em junho de 1974, o “The Godfather Of Soul” James Brown, lançava um dos melhores e mais emblemáticos discos de sua carreira: “Hell”.

James havia lançado anteriormente o que seja provavelmente o disco mais clássico de sua carreira “The Payback” (1973) e estava em grande fase. Seu som estava cada vez mais indo para um caminho mais Funky agressivo e visceral, e as complexidades nos arranjos de suas músicas estavam ficando cada vez mais intensas e elaboradas.

Em “Hell”, o Padrinho do Soul tinha em mãos músicos magistrais como Fred Wesley, Maceo Parker (Pouco antes de se tornarem parte essencial do circo P-Funk de George Clinton), Chuck Rainey, Ralph MacDonald, Joe Farrell, David Sanborn, e entre muitos outros. O disco inteiro mantém o nível de energia e qualidade no topo, com James Brown liderando uma verdadeira viagem alucinante de Funk/Soul com jams arrebatadoras, grooves sacolejantes, e temas com uma qualidade instrumental incrível fazendo qualquer um rachar o assoalho.

Ao ouvir o disco, fica bem claro que a intenção de James Brown era de criar uma obra quase que conceitual, pelo fato de praticamente todas músicas se interligarem com um som de uma espécie de sino oriental. Ou seja, James está te convidando a apreciar a obra por completo, e a embarcar numa viagem onde a dança do Funk e a leveza sentimental do Soul se conectam numa sincronia perfeita! Mas além disso, ouvimos aqui como um mestre/gênio consegue unir de forma magistral praticamente todos os aspectos da Black Music americana com excelência, além de trazer elementos de música africana (Presente no maravilhoso trabalho de percussão) e música latina.

Os destaques se encontram logo na trinca inicial do disco com três petardos Funky excepcionais, “Coldblooded”, a faixa título “Hell”, e o single “My Thang”. Há essa altura do disco, o ouvinte já pode estar até suado, pois se tratam de músicas que convidam o ser humano a arrastar os móveis da casa pra dançar sem parar (Apesar que também ficar parado e apreciar o fantástico instrumental e o praticamente perfeito trabalho de produção/engenharia de som também pode ser muito satisfatório). Na sequência temos um maravilhoso tema de um clássico do Gospel com “When The Saints Go Marching In”, uma balada Soul romântica lindíssima e triste com “These Foolish Things Remind Of You”, e também a genial ousadia de pegar um grande standard do Blues como “Stormy Monday”, e transforma-lo num poderoso Funk/Reggae. Ainda temos a deliciosa pegada Pop de “Lost Someone”, um dos grandes clássicos do disco, com arranjos e melodias sublimes, e de interpretação emocionada, é com certeza o momento mais Pop aqui presente. E para finalizar com chave de ouro, temos os incríveis 14 minutos de puro Funky e groove matador com o grande clássico “Papa Don’t Take No Mess”, com certeza o maior clássico do disco, é impressionante ver como James Brown ao mesmo tempo que canta e faz todas aquelas acrobacias vocais, ainda consegue agir como um verdadeiro band leader, acompanhando e levando a banda a qualquer lugar que ele queira, chega a ser surreal!

Para concluir, é fantástico constatar que James Brown mesmo já sendo um veterano na época, ainda conseguiu entregar um trabalho muito inspirado, fazendo com maestria aquilo que já sabia fazer de melhor e se desenvolvendo ainda mais nessa área. Convenhamos que nada surpreendente também, afinal, estamos falando do grande “Godfather Of Soul”, o pai do Funk, do Soul, e da porra toda na música negra!

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Autor: Felipe Silva

28 anos, paulista, corinthiano, e o mais importante, consumidor compulsivo de música! Rock, Soul, Funk, Blues, Jazz, MPB, que a música boa seja exaltada independente de gênero. God bless you all.

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