45 anos da Alquimia Sonora de Jorge Ben

Jorge Ben sempre foi um artista diferente. Desde seu estilo único de tocar violão até suas letras inventivas e de um bom humor contagiante. A música parece ser parte dele, de tão natural e intuitiva. Dito isso, não é de se esperar que Jorge siga normas ou tendências. Isso é refletido em “A Tábua de Esmeralda” (1974), que muitos consideram seu melhor trabalho, e que está completando 45 anos.

Em 1974, no auge do autoritarismo da ditadura militar, Jorge tem a ideia de juntar duas de suas paixões: a música e a alquimia. Primeiramente, essa ideia foi recusada por sua gravadora (Philips), mas passou graças à insistência do lendário executivo André Midani (R.I.P).

Esse conceito já é escancarado na primeira faixa, “Os Alquimistas Estão Chegando Os Alquimistas”, que nos apresenta o sensacional groove, além de uma letra tão peculiarmente descritiva que só poderia ter sido escrita por Jorge.

Aqui, ele mostra todas os elementos que caracterizam seu som. A sofisticação harmônica de “O Homem da Gravata Florida” não tira o espaço do swing e a beleza simples das melodias. Melodias, aliás, que permeiam todo o àlbum, memoráveis mas nunca previsíveis.

Pela descrição do tema do disco, pode-se pensar que se trata de algo denso e sério. Mas, que nada! O samba-rock que consagrou Jorge como um dos grandes nomes da MPB está aqui, e mais inspirado do que nunca. O que dizer da lindíssima (e cheia de malandragem) “Menina Mulher da Pele Preta”, ou o otimismo (em tempos sombrios) de “Eu Vou Torcer”. Ouça com um bom fone, e vai perceber que nada está ali por acaso.

As musas inspiradoras são uma constante na carreira de Jorge. É o caso de “Magnólia”, carregada pelo swing de seu violão, e lindos arranjos de cordas. Aqui, sua voz suave, vezes sussurrada, soa melhor do que nunca.

O álbum possui muitas “homenagens”. À mulher brasileira em “Minha Teimosia, Uma Arma Pra Te Conquistar”, a Zumbi dos Palmares em “Zumbi” e ao filósofo Hermes Trismegisto em “Hermes Trismegisto e sua Celeste Tábua de Esmeralda”. Todas traduzem bem a sonoridade do álbum, dançante, descompromissada, lotada de coros vocais. Poucos artistas soam tão brasileiros quanto Jorge.

Nesse disco, Jorge Ben atingiu seu auge artístico. Unindo seu violão (segundo ele, uma tentativa desajustada de tocar a levada clássica da Bossa Nova), a um misticismo único, ele nos leva em uma viagem cósmica da qual não saímos ilesos. No aniversário desse álbum tão importante, mergulhe nas escrituras dessa celeste Tábua de Esmeralda!

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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