70 Anos de uma lenda do Prog

John Wetton. Esse nome figura em qualquer lista de grandes baixistas que se preze. Com um timbre muito característico, potente e poderosíssimo. Além disso, era um compositor de mão cheia, com uma notável influência da música erudita (que fez parte de sua formação e da qual era grande apreciador). Hoje, esse grande nome do Rock Progressivo completaria 70 anos.

Wetton possui um currículo invejável, com passagens por bandas gigantes e importantíssimas. Seu primeiro projeto notável é o Mogul Thrash. Se trata de uma banda de Rock Progressivo/Jazz Fusion. Eles lançaram apenas um (bom) disco, autointitulado, em 1971. Aqui, já percebemos que Wetton ainda tinha muita lenha pra queimar, com linhas de baixo devastadoras. Vale a audição!

Então, ele se juntou à fantástica banda Family (já comentada anteriormente aqui). Com eles, gravou o que provavelmente é a obra-prima da banda, “Bandstand”, de 1972. Aqui temos um Hard Rock com um Groove, digamos, peculiar.

Após outros trabalhos como músico de estúdio, ele atingiu seu ápice, artisticamente falando, ao entrar no King Crimson. Com uma formação estelar, que contava simplesmente com ele no baixo/vocal, o “Patrão” Robert Fripp na guitarra, Bill Bruford na bateria (e, ocasionalmente, David Cross no violino), a banda lançou alguns dos trabalhos mais sublimes do Prog (e da música do século XX, sem nenhum exagero), quebrando fronteiras e estéticas sonoras. Dessa frutífera era, destaco o espetacular “Larks’ Tongues in Aspic”, de 1973 que é, pessoalmente, um dos discos da minha vida. Se ainda não ouviu, dê uma chance, e garanto que sairá transformado.

Nos anos seguintes, ele fez turnês com o Roxy Music (os gênios sempre se encontrando), gerando inclusive o disco ao vivo “Viva!” (1976). Então, como se já não bastasse essa sua curta, mas cheia de projetos de peso, Wetton entra no Uriah Heep, revitalizando a banda. Nesse curto período, destaco o excelente “Return To Fantasy”, de 1975. Um petardo do Rock setentista!

É notável que os anos 70 foram inspiradíssimos para Wetton, e a reta final da década nos presenteou com mais uma banda fantástica, o U.K. Aqui, temos um supergrupo do Rock Progressivo, que ainda contava com Allan Holdsworth na guitarra, (novamente) o monstro Bill Bruford na bateria (posteriormente substituído por Terry Bozzio, para vermos como o nível é altíssimo) e o grande violinista/tecladista Eddie Jobson. Aqui, recomendo especialmente o autointitulado primeiro disco (1978), um deleite para qualquer fã de Prog!

Nos anos 80, ele protagonizou mais um grande supergrupo (do qual muitos puristas do Rock Progressivo não são muito fãs), o Asia. Bem, a formação fala por si só, com as lendas Carl Palmer na bateria e Steve Howe na guitarra, além do tecladista Geoff Downes. A banda fez um imenso sucesso, especialmente com seu primeiro disco (1982) que deixo de recomendação (confesso que não sou fã dos trabalhos posteriores da banda). A sonoridade é bem pop, mas os grandes músicos o fazem com maestria.

Enfim, a carreira de John Wetton é tão vasta que poderia passar dias destrinchando-a. Ele não está mais entre nós, mas sua obra está aí. Neste dia tão especial, nada melhor do que prestarmos uma homenagem a esse gênio!

Discos indicados:

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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