Like A Rolling Stone – A canção que mudou a Música Pop

Dando continuação ao nosso quadro “As 100 melhores canções de todos os tempos”, trago uma das músicas mais importantes da história, “Like A Rolling Stone”.

Algumas obras, sejam elas músicas, discos, filmes, pinturas, transcendem as barreiras da própria arte, e tornam-se simplesmente um acontecimento, algo histórico e que, de alguma maneira, influenciou tudo o que posteriormente nasceu, tornando-se uma espécie de “Zeitgeist” de suas respectivas épocas. Esse é o caso de “Like A Rolling Stone”.

Lançada no fantástico disco “Highway 61 Revisited”, a canção é fruto de um momento de incertezas na carreira de Dylan, onde se sentia insatisfeito com seu próprio trabalho, seu público, e completamente esgotado (após uma longa turnê pela Inglaterra, em 1965). Mas, como qualquer grande artista, ele transformou sua frustração em longos versos (à época, com 20 páginas), onde mostrava uma veia mais ácida e até vingativa. Então, Dylan reduziu esses versos até chegar à perfeição que ouvimos na canção.

Para a sessão de gravação, Dylan convidou o fantástico guitarrista Mike Bloomfield (Paul Butterfield Blues Band), procurando uma sonoridade mais agressiva, absorvendo o Rock à sua sonoridade (como já vinha acontecendo no disco “Bringing It All Back Home”). As sessões foram extremamente exaustivas, com diversas tentativas e abordagens para a música. Até que Al Kooper (à época ainda um guitarrista de estúdio, com 21 anos,) sentou no órgão e, num daqueles momentos inexplicáveis na história da arte, como num lampejo de genialidade, tocou o icônico riff que permeia a canção.

Após mais algumas gravações, ela estava pronta. Mas havia um problema, era longa demais para tocar nas rádios, com seus mais de 6 minutos. Primeiramente, a gravadora “Columbia” recusou-se a lançar a canção como um single. Mas, após uma cópia ser levada ao badalado clube “Arthur”, em Nova Iorque, e provar-se uma febre no local, a gravadora cedeu. Assim, lançada no dia 20 de Julho de 1965, “Like A Rolling Stone” se tornou o maior sucesso comercial de Dylan.

Musicalmente, é um Folk-Rock, liderado pelo grande riff de orgão e a guitarra de Dylan/Bloomfield. A música se inicia com o som retumbante da bateria, que Bruce Springsteen descreveu magistralmente “é como se alguém tivesse aberto as portas de sua mente”. Desde então, algo catártico se inicia, É impossível manter-se indiferente ao impacto da canção, com Dylan (e sua cínica voz) cantando a plenos pulmões “How does it feel?”, e suas (já características) intervenções na gaita.

A letra causa controvérsias em sua interpretação. Seria apenas a história da decadência da chamada “Miss Lonely”, ou uma analogia para a situação em que Dylan se encontrava, “sem um rumo para casa”? Ela retrata uma espécie de “perda da inocência” (em mais um paralelo com a vida de Bob Dylan).

Após o lançamento da canção, Dylan foi chamado de “Judas” por muitos de seus antigos fãs, como se tivesse traído o movimento Folk. Ele respondia berrando, novamente, o refrão “How does it feel?”. “Like A Rolling Stone” se tornou, imediatamente, um marco de importância inestimável para a música pop. Aqui, os padrões da composição foram quebrados, e o modo de veiculação de canções por meio do rádio foi obrigado a se curvar diante da grandiosidade da canção. Além disso, ela influenciou outros gênios, desde os Beatles ao já citado Bruce Springsteen. É simplesmente um acontecimento histórico, acima de uma grande canção!

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Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

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