Os 30 anos de “The Real Thing”

O ano é 1989. O Rock ainda ocupava uma boa parte do “mainstream” , enquanto, em paralelo a isso, o Rap começava a se popularizar e ultrapassar as barreiras dos guetos urbanos. O chamado “Metal Alternativo” começava a se desenvolver. Nesse contexto, surge (ou ressurge) o Faith No More, com o clássico “The Real Thing”. Se trata de seu terceiro disco, o primeiro com Mike Patton nos vocais (após a demissão de Chuck Mosley), mudando completamente a trajetória da banda.

Na pulsante abertura “From Out Of Nowhere”, a banda (e especialmente Mike Patton) já mostra a que veio, liderada pelos teclados de Roddy Bottum, além da voz anasalada e marcante de Patton.

Então, vem “Epic”, que dispensa apresentações, um dos grandes clássicos do Rock do final dos anos 80/início dos anos 90 (com um clipe icônico). A música faz jus ao nome, é um épico. Aqui, aparece uma das facetas mais marcantes da banda, o groove (especialmente pelo baixo de Bill Gould), além de versos em Rap de Patton. O “coda” é, sem dúvidas, algo a se destacar, com um lindo interlúdio de piano.

“Falling To Pieces” é outro clássico da banda, com uma destruidora linha de baixo (extremamente “funky”) , o motor que conduz a música. Aqui, pode-se perceber a química da banda. Mike Bordin e Bill Gould garantem a solidez da “cozinha”, enquanto o “riffeiro” James Martin e Roddy Bottum se complementam perfeitamente.

“Zombie Eaters” é uma faixa que mostra um lado mais delicado de Patton, mas que logo ganha peso (com riffs precisos de James Martin), e teclados que ambientam perfeitamente a aura épica da música.

Por falar em épico, temos a faixa título “The Real Thing”, que condensa boa parte dos pilares da sonoridade do Faith No More: Peso, Groove e uma sensibilidade ímpar. É a faixa mais longa do disco, e outro de seus pontos altos.

O álbum ainda conta com uma faixa instrumental, “Woodpecker From Mars”, extremamente criativa, com melodias que remetem à tradições musicais árabes, além, novamente, dos riffs impiedosos de James Martin. Além disso, vale destacar, em seguida, o cover de “War Pigs”, do Black Sabbath, que é fantástico.

O disco se encerra com a que, pra mim, é uma de suas faixas mais importantes, “Edge Of The World”. Isso deve-se ao fato de que nela temos uma pista dos novos caminhos que a banda seguiria nos anos seguintes, mostrando uma das inúmeras facetas de Mike Patton (que seriam muito mais exploradas nos próximos discos), aqui quase um crooner.

“The Real Thing” é uma obra irretocável, que representa a explosão mundial do Faith No More, e apresenta a “fórmula” (se é que ela existe. tamanha a diversidade do som) que a banda seguiria (e lapidaria ainda mais) nos anos seguintes. Obrigatório!

Anúncios

Autor: Caio Braguin

16 anos, baterista, aficionado por música (e todas as formas de arte) desde o berço. Música é minha vida!

Deixe um comentário